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77 - Hamlet

Ficha Técnica

 

Hamlet
Tragédia Cómica de Luis Buñuel

 

Tradução Mário Cesariny

Encenação Ricardo Aibéo

Cenário e Figurinos Ricardo Aibéo com a colaboração de Cristina Reis, Luís Santos e Luís Miguel Cintra

Som Vasco Pimentel

Desenho de adereços Luís Santos

Direcção técnica Jorge Esteves

Desenho de luzes Luis Miguel Cintra

Montagem eléctrica Elias Marcovela com João Paulo Araújo e Abel Fernando

Operação de luz Elias Macovela

Montagem João Paulo Araújo e Abel Femando

Guarda-roupa Teatro da Cornucópia, Teatro Nacional S. Carlos e Teatro Experimental de Cascais

Tratamento de guarda-roupa Alice Madeira

Construção de adereços Luís Santos, João Paulo Araújo e Abel Fernando

Contra-regra Manuel Romano

Produção executiva Tiago Bartolomeu Costa

Desenho gráfico do programa Cesário Monteiro

Cartaz Cristina Reis

Interpretação

Hamlet Ricardo Aibéo

Agrifonte Dinarte Branco

Mitrídates Luís Gaspar

Margarida Sofia Marques

Don Lupo Rita Durão

Capitão Luís Gaspar

Contertúlio Luis Gaspar

Espectro do pai de Hamlet Luís Gaspar

Sombras Manuel Romano, Rita Durão e Sofia Marques

 

Agradecimentos: Alice Madeira, Amália Barriga, Ana Ferreira, Serviços Florestais da Câmara Municipal de Lisboa, Cesário Monteiro, Cristina Janeiro, Amélia Carrilho, Daniel Worm d’Assumpção, Jasmim, Diana Coelho, Dina Azeiteiro, Elias Macovela, Emília Lima, Georgina Barbosa, Gonçalo Alegria, Helena Gelpi, Isaura Lobo, João Bénard da Costa, João Calvário, Linda Gomes Teixeira, Luís Mesquita, Manuel Romano, Maria Teresa Penha, Mariana Viegas, Mário Cesariny, Nuno Lopes, Patrícia Gaspar, Paulo Vieira – cabeleireiros, Manuel Bernardo, SubUrbe, Susana Carvalho, Teatro Experimental de Cascais, Teatro Nacional de S. Carlos, Vasco Pimentel, Pedro Chrístian Garcia Buñuel e Teatro da Cornucópia

 

Lisboa: Teatro do Bairro Alto. Estreia: 05/12/2000

12 representações

Produção de Ricardo Aibéo com a colaboração do Teatro da Cornucópia

Apoio de Fundação Calouste Gulbenkian, Câmara Municipal Lisboa - Juventude, Governo Civil

de Lisboa, Instituto Cervantes, Embaixada de Espanha – Serviços Culturais, Instituto Português da Juventude, Cinemateca Portuguesa, Teatro da Cornucópia, Correaria Machado, Agência Funerária Magno, Central do Mitelo e J.P.Vinhos.

Este Espectáculo

HAMLET é um texto que muito poucos conhecem e, pelo que sei, nunca foi representado em Portugal. Aliás, a única apresentação desta peça, de que tenho conhecimento, foi feita em Paris, no sótão do Café Select, em 1927, interpretada pelo próprio Buñuel e alguns dos seus amigos espanhóis. Este ano comemora-se o primeiro centenário do nascimento de don Luis. Este espectáculo é, também, a nossa singela homenagem a ele.

O sonho. A imaginação. O Teatro. O amor e a morte. A morte e a mulher. A mulher e a mãe. O homem. O desejo. A frustração. HAMLET de Luis Buñuel é, parece-me, um teatro vazio e negro e também infantil, como o dos sonhos. Povoam-no personagens-fantasmas que se animam e actuam. Que aparecem e desaparecem misteriosamente. Quem são? Personagens teatrais vagueando pelos séculos? Sombras de um mundo desconhecido e sempre reconhecível? Um vazio onde explodem emoções, situações obscuras, diálogos incríveis, palavras duvidosas. Um vazio onde se escreve uma estória delirante e indescritível. Onde se fala uma linguagem secreta e desconhecida.

Esta peça parece-me uma espécie de puzzle que se pode montar como se quiser. Não porque a sequência das cenas seja arbitrária, mas porque cada palavra, cada gesto, cada situação é uma chave para várias ideias. Cada ideia uma chave para outras tantas. Cada um terá que escolher, ou não, o seu próprio caminho dentro do labirinto fantástico da sua imaginação.

Não sei se pode dizer-se que HAMLET seja uma peça impossível. Mas HAMLET é uma peça impossível. Como um poema. Parece que este texto é sempre superior ou, pelo menos, sempre mais concreto, do que a sua concretização. Porque o Cadáver de Mitrídates ser "levado pelo revolto caule do dia" não se faz. São palavras. E imagens. Mas que ganham uma forma dentro da minha cabeça, como dentro de outras ganharão, imagino eu, uma forma diferente e original. A cada um o seu "revolto caule do dia" único e intransmissível. Assim concretiza-se o inconcretizável.

Cito Buñuel no seu projecto-poema Uma Girafa: "Há que fazer constar que esta girafa só ganha verdadeiro sentido quando inteiramente realizada, isto é, quando cada uma das suas malhas cumprir a função a que está destinada. Se esta realização é muito dispendiosa, nem por isso será menos possível. TUDO É ABSOLUTAMENTE REALIZÁVEL."

A Sofia, a Rita, o Gaspar, o Dinarte, o Tiago, o Luís Santos, a Cristina, o Luis Miguel, o Vasco, o Mário, o Teatro da Cornucópia e tantos outros, com a sua desconcertante generosidade, tornaram absolutamente realizável a Girafa-Hamlet.

 

Ricardo Aibéo

Imagens

fotografias de Mariana Viegas e Lee Tat Kan ©