de Luis Miguel Cintra a partir de Beckett, Genet, García Lorca, Calderón, Kleist, Schnitzler, Luiza Neto Jorge, Shakespeare, Tchekov, Pirandello, Heiner Müller e Louis Jouvet.
Teatro do Bairro Alto, Lisboa
18 de Novembro a 12 de Dezembro
3.ª a sábado às 21.30h. Domingos às 16h
duração do espectáculo: 1.30h
ÚLTIMAS REPRESENTAÇÕES
Encenação Luis Miguel Cintra
Cenário e figurinosCristina Reis
Desenho de luz Daniel Worm D’Assumpção
Interpretação
O encenador Luís Lima Barreto
A Assistente de encenação Sofia Marques
O Contra-regra Dinis Gomes
O ActorLuis Miguel Cintra
Muitas vezes o teatro fala do teatro. E de muitas maneiras se pode falar dele. Nas duas peças que o Teatro da Cornucópia levará à cena esta temporada (A CACATUA VERDE de Schnitzler e A VARANDA de Jean Genet) o teatro é um tema entendido como mais que a mera construção de espectáculos. É com ironia e paixão que esses dois autores falam do teatro e o utilizam, entendendo-o como parte da vida e maneira de viver, transfiguração dos seres, ilusão, máscara, processo de revelação de verdades. A propósito desses dois textos o Teatro da Cornucópia elaborou com FIM DE CITAÇÃO um pequeno espectáculo construído a partir de citações de muitos grandes autores da literatura dramática e de citações da história da própria companhia, agora já com 37 anos de trabalho ininterrupto que resultaram já em 107 criações, e que é uma reflexão feita em modo de brincadeira sobre a própria natureza profunda do teatro e sobre o actor.
Um pouco como os quadros em que o pintor se pinta a si próprio com o modelo a pintar no seu atelier, o espectáculo põe em cena 4 personagens de teatro: um actor, um encenador, uma assistente de encenação e um contra-regra durante o seu trabalho de ensaios. O seu diálogo é um conflito permanente e um chorrilho de teorias prontas a ser usadas. E também um debate sobre a realidade e a ilusão, sobre a natureza do trabalho teatral, um elogio do actor, e um retrato da sua fragilidade que no fundo se transforma no tema mais geral da dificuldade de viver. FIM DE CITAÇÃO é ainda um exercício de auto-crítica, uma brincadeira do Teatro da Cornucópia sobre si-próprio com a auto-ironia de que é capaz. Percorre os diferentes modos de fazer teatro e alude à sua missão política, tenta pôr-se em causa, expõe-se sem máscara mas mascarado perante o público, como reconhecerão aqueles que têm acompanhado o seu percurso. É um balanço para novo passo em frente.